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sábado, 26 de novembro de 2011

PINTURAS por Maduro

1ª tela: LUAR (Celso 2011)


2ª tela: PÔR-DO-SOL (Celso 2011)


3ª tela: BARCO ANCORADO (Celso 2011)


4ª tela: BARCO, em paisagem japonesa (Celso 2011).


5ª tela: PEQUENA CACHOEIRA, em paisagem japonesa (Celso 2011).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

ELECTRICA: efêmera como um relâmpago


A Marília Rothier Cardoso
              
A partir de 1972, quando os periódicos modernistas dos anos 20, pertencentes à chamada fase heróica do Modernismo, começaram a fazer cinqüenta anos, foram publicadas, por iniciativa de órgãos estaduais e empresas privadas, as edições fac-similares das revistas Klaxon (1972), Estética (1974), Revista de Antropofagia (1976), Terra Roxa e outras terras (1977), A Revista (1978), Arco & Flexa (1978), Verde (1978) e Festa (1980), o que as tornou acessíveis ao público especializado. Ainda que esses fac-símiles só possam ser encontrados nas bibliotecas de instituições como a Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), devido ao número limitado de exemplares de suas edições, a existência deles tem permitido o estudo do Modernismo a partir dos seus órgãos de divulgação, nos quais os autores engajados nesse movimento publicavam suas primeiras manifestações literárias e idéias a respeito da nova arte. Entretanto, nem todas revistas da década de 20 foram agraciadas com uma edição fac-similar. Este é o caso do periódico Electrica, cuja coleção original, de dez números impressos em nove volumes, só pode ser encontrada na FCRB.
            Electrica foi publicada por iniciativa de Heitor Alves, poeta e engenheiro carioca, que, devido à tuberculose, radicou-se em Itanhandu, Minas Gerais, no ano de 1925. A redação tinha como referência o Gymnasio Municipal Sul-Mineiro, localizado na cidade de Itanhandu, onde o diretor da revista lecionava, física, química, história e matemática. A impressão do periódico se fazia na editora Casa Aurora, de Heli Menegale, no município vizinho de Passa Quatro. Nas redondezas, além de Heli, que também era poeta, Heitor podia contar com o modernista Ribeiro Couto, que estava, na época, exercendo a função de promotor em Pouso Alto. De resto, seus colaboradores de renome estavam distantes, a maioria nos grandes centros. Ainda assim, participaram da revista: Murilo Araújo, Tasso da Silveira, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, entre outros.
            O primeiro número de Electrica foi publicado em maio de 1927. Como as demais revistas modernistas, teve vida curta. O décimo – último – número é de maio de 1928. Neste intervalo, teve duas séries. A primeira, circunscrita ao ano de 1927, conseguiu manter a mensalidade do periódico até outubro. De maio a dezembro de 1927, foram oito números, mas apenas sete volumes. Os números sete e oito foram publicados num mesmo volume em dezembro, para compensar a falta da edição de novembro. A segunda série, por sua vez, ficou limitada a dois números, sendo o primeiro, referente a janeiro e fevereiro de 1928, e o segundo, referente a maio de 1928. Ambos com formato, diagramação e propostas diferentes dos anteriores.  Enquanto, na primeira série, a revista manteve, além da parte literária, um serviço de informações, que abrangia todo o Sul de Minas e dependia de uma rede de representantes em diversas cidades, na segunda, as notícias se restringiram a Itanhandu, aumentando o espaço para a literatura. Contudo, nesse segundo momento, quando Electrica passa a se apresentar como uma vitrine de textos de autores modernistas, ainda que os passadistas continuem comparecendo, o serviço de propaganda, até então eficiente, voltado para alguns grandes anunciantes e concentrado nas atividades econômicas itanhanduenses, diminui sensivelmente, contribuindo para o fim da publicação.
            O fato de Electrica ter surgido numa cidade de 18.000 habitantes, mais especificamente, no distrito-sede de Itanhandu com 5.000 habitantes, parece espantoso, mas nem tanto. Assim como a revista Verde, da pequena Cataguases, o periódico itanhanduense foi favorecido pelo ginásio local, que criava uma pequena atmosfera intelectual, pois, para o município, convergiam professores qualificados e alunos das redondezas e de outras regiões. Para se ter uma idéia da importância do Gymnasio Municipal Sul-Mineiro, basta ressaltar que ele fora equiparado ao Colégio de Pedro II, de acordo com a inspeção oficial do Departamento Nacional de Ensino. No entanto, o que torna Electrica peculiar entre os periódicos é sua proposta diferenciada, executada na primeira série, do primeiro ao oitavo número. Enquanto as outras revistas modernistas causavam escândalo, Electrica, sob a direção e o entusiasmo do Heitor Alves, integrou a população local a seu projeto, conquistando-a. Os itanhanduenses não se reconheciam apenas nas notícias e nos anúncios. O próprio nome da publicação apontava para a pequena hidrelétrica, que seria inaugurada no município, em 1929, e levaria força e luz para as casas e indústrias. Assim, longe de causar estranhamento, o periódico teve grande aprovação. De certa maneira, apesar de toda tradição de pequena cidade do interior de Minas, os itanhanduenses se sentiam modernos – modernistas, futuristas, que seja! – afinal, num povoado, surgido de uma estação ferroviária, instalada no meio do nada, em 1884, tornado distrito em 1911, e emancipado em 1923, graças às manufaturas de fumo, todos apostavam no progresso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

FEITIÇO por Maduro


Poema inspirado na peça A bruxinha que era boa, de Maria Clara Machado, encenada pelo Teatro dos Alunos do Colégio Objetivo (TACO), Colégio Minas Austral, em Itanhandu. A encenação foi apresentada no Salão Nobre da Fundação Itanhanduense durante a Mostra Aberta de Teatro Escolar, promovida pelo Colégio Minas Austral e organizada por Gláucia Aparecida de Lorenzo, professora dessa institução de ensino e da Escola Estadual Professor Souza Nilo, cujos alunos também participaram com suas peças. A personagem Fredegunda, em A bruxinha que era boa, era minha filha Alice de Lorenzo Coelho.

Se houver talento
Fogo, água, terra e vento
Se houver alquimia
Éter sulfúrico e maisena

Reúna todos os elementos
Sem medo do resultado
Nada deve ser aos poucos
Faça tudo multiplicado

Dos meios o mais sutis
Pode sair o macabro
E da singeleza da flor
A fétida lembrança

Ponha asa de morcego
Se quiser esperança
Pois asas são asas
E o sangue é vida

Nada de tradicional
Nada de ortodoxo
Pegue osso de galinha
Jogue na sorte

Ao cantar do galo
Ao pulo do gato
Nenhum espasmo
Seu corpo jaz morto.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

BEM RELACIONADO: DEFINIÇÃO DE RENATO

(um questionamento em forma de narração)
RENATO
Bem relacionado. Tranquilidade é quando você tem em seu círculo de amizades, pelo menos um médico, um policial, um advogado, um político e um assassino.

CELSO
E se o seu amigo médico matar você na mesa de uma cirurgia desnecessária para embolsar sua parte na grana do esquema sanguessuga de corrupção? E se o policial da quadrilha prender o assassino para este não “revidar” o crime do médico ou por achar que o assassino armou tudo? E se o político for afastado do Senado (preso é demais) por denúncia sobre outro ato de corrupção ao Ministério Público? E se a denúncia foi articulada pelo advogado, que o queria fora do esquema? E se o policial estava envolvido na mesma corrupção, o esquema sanguessuga dos supostos amigos, e foi trancafiado na mesma cela do assassino?

Ambos não fizeram faculdade e não tiveram direito a prisão especial. Também não deviam ter envolvimentos com bacharéis. É muito perigoso.

Nessa história, você ainda não percebeu, mas é, ou melhor, era o advogado que morreu. E seu mui amigo médico é, na verdade, mais assassino do que seu amigo assassino. Para lhe esclarecer, se é que isso ainda lhe importa, o seu amigo assassino matou o policial na cela, enquanto o político declamava um discurso no seu funeral na Rua da Saudade, Bairro Nossa Senhora de Fátima, de onde sua esposa saiu com o atestado de óbito, preenchido e assinado pelo médico. Este lhe entregou o documento durante a cerimônia, pois havia urgência.

Na verdade, todos eram amigos de sua esposa, menos o assassino que era verdadeiramente seu amigo. Ele jura vingar-se do médico e do político e de sua ex-esposa. Agora, ele não quer somente sua parte da grana, mas todo o dinheiro, e a vida de cada um.

Vejam as cenas do próximo capítulo. Conseguirá o assassino sair da prisão e fazer sua vingança?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JU & YUNG

Reflexão baseada na montagem de Juliana Coelho Martins, realizada com o texto de Fernando, citado em Imagens do Inconsciente, de Nise da Silveira, e também no livro de Carl Gustav Yung, Os símbolos da transubstanciação na missa.


Yung diz que nosso eu (ego) se apropria dos objetos possuídos como extensão do nosso corpo. Isso é percebido na língua de certas culturas, em que o substantivo se modifica quando o objeto é da própria pessoa que fala. Também percebemos esse fato na linguagem jurídica, pois, quando vendemos algo, alienamos (de "alien" = outro) algo, ou seja, o que era meu passa para outro (alter), deixa de ser minha propriedade. Há, portanto, uma desapropriação.

Isso é importante para o processo de individuação: saber que os outros a as coisas não são nossas extensões, muito menos propriedade. As crianças podem ter o berço, o colo ou seio da mãe, mas ocorrerá a separação, a alienação. E só assim  haverá crescimento da alma (psique). Os adultos podem ter suas teorias, religiões (com seus deuses idealizados) e ideologias, mas elas passarão.

Concordando com o texto de Fernando, belamente montado por Juilana, o que eu faço é minha prática (obra) e corresponde a minha alma. Quanto mais aprofundo no conhecimento da minha psique (individuação), mais próximo fico do self, e mais esta fonte de energia pode alimentar um ego "verdadeiro" e suas obras "verdadeiras". O self, todavia, é alimentado por "Deus", o que, segundo Yung, no Ocidente, corresponde ao Cristo ou ao arquétipo de Jesus.

Por isso, não basta estar no berço, sugar o seio, sentar no colo, ir para o mosteiro ou ler a Bíblia. É preciso ser, por meio do eu (ego), plenamente o próprio self, só assim as obras serão mais "verdadeiras", serão obras de um eu individuado, mas que sabe viver em comunhão.

domingo, 17 de abril de 2011

CECÍLIA MEIRELES - CÂNTICOS: OFERENDA


O eu lírico do "Cântico IV", da obra póstuma Cânticos: uma oferenda (1982),
de Cecília Meireles, aconselha: "Não queiras ser tu.". Depois acrescenta: "Troca-te
pelo Desconhecido.". E este Desconhecido é definido, dentre outras perguntas,
por esta: "Não vês, então, que ele não tem fim?". A pergunta em questão
é uma verdadeira afirmação. O Desconhecido não tem fim; é infinito.

O livro é todo espiritualidade. Os versos escolhidos ilustram bem esse fato.
Propõem que nos depojemos de nosso ego limitado para nos conhecermos,
pois somos muito mais do que pensamos: "Não vês, então, que ele é maior?".
Seguindo uma linha espiritual de raciocínio, o eu lírico termina o "Cântico IV"
com esses dois últimos questionamentos: "Não vês que ele és tu mesmo? /
Tu que andas esquecido de ti?". Em outras palavras: ele, o Desconhecido,
é o próprio leitor que ainda não se descobriu, que, por acreditar ser apenas
 seu ego superficial, não se recorda que é todo um universo a ser descoberto
e já existente no seu eu mais profundo, o self, conforme a terminologia yunguiana.

É interresante observar também, nessas e em outras passagens,
a habilidade com que a autora trabalha os pronomes para conseguir especificar,
diferenciar e aproximar o ego e o self, este eu profundo e desconhecido.
Percebemos ainda que o eu lírico escreve sobre uma experiência espiritual
já vivenciada por ele: a liberdade do espírito, o que pode ser
confirmado nos seguintes versos da epígrafe da própria Cecília:
"O vento do meu espírito / soprou sobre a vida.".
Daí o tom de conselho autorizado que perpassa a obra:
"Faze silêncio no teu corpo. / E escuta-te /
Há uma verdade silenciosa dentro de ti.".
("Cântico IX")

No conjunto, Cânticos: oferenda, de Cecília Meireles,
remete-nos ao Cântico dos cânticos e coloca-se abaixo desta obra.
Se a obra bíblica é um canto, acima dos demais, ao Espírito Santo de Deus,
o livro de poemas de Cecília é um canto espiritual dentre outros,
pois tem uma especificação: "Teu nome é liberdade.".
São, por assim dizer, cânticos de liberdade.
 Cânticos da  liberdade do espírito humano em Deus.

sábado, 16 de abril de 2011

PROPOSTA DE FRONTEIRAS LITERÁRIAS

A proposta deste blog é comentar obras de autores de diferentes línguas e culturas.
Os comentários são pontuais e têm como referência as minhas leituras e conversas
cotidianas, bem como os meus textos que serão reproduzidos neste espaço.

Ao escrever sobre a produção literária de diversos países em diferentes épocas,
observo os diálogos que as obras de poetas e escritores estabelecem entre si,
com as literaturas canônica e marginal, com as tradições clássica e moderna,
e com as linguagens de textos não literários e de outras artes.

Também procuro valorizar a diversidade dos gêneros literários, inclusive os híbridos,
a expressão das identidades sociais, étnicas, de gênero e de outras categorias,
a utilização de diferentes recursos formais e conteúdos temáticos, e
a convivência de várias áreas do conhecimento no texto literário.

Parafrasenado Manuel Bandeira,
dedico-me a todos os ritmos, sobretudo os inumeráveis.
Todavia, é importante informar que não pretendo,
com essa abrangência de possibilidades,
demonstrar uma erudição que não tenho,
nem fazer um estudo exaustivo de nenhuma delas.
Com a proposta de Fronteiras Literárias,
viso apenas a liberdade de passear pelos limites da literatura.
Venha fazer essa travessia comigo!