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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JU & YUNG

Reflexão baseada na montagem de Juliana Coelho Martins, realizada com o texto de Fernando, citado em Imagens do Inconsciente, de Nise da Silveira, e também no livro de Carl Gustav Yung, Os símbolos da transubstanciação na missa.


Yung diz que nosso eu (ego) se apropria dos objetos possuídos como extensão do nosso corpo. Isso é percebido na língua de certas culturas, em que o substantivo se modifica quando o objeto é da própria pessoa que fala. Também percebemos esse fato na linguagem jurídica, pois, quando vendemos algo, alienamos (de "alien" = outro) algo, ou seja, o que era meu passa para outro (alter), deixa de ser minha propriedade. Há, portanto, uma desapropriação.

Isso é importante para o processo de individuação: saber que os outros a as coisas não são nossas extensões, muito menos propriedade. As crianças podem ter o berço, o colo ou seio da mãe, mas ocorrerá a separação, a alienação. E só assim  haverá crescimento da alma (psique). Os adultos podem ter suas teorias, religiões (com seus deuses idealizados) e ideologias, mas elas passarão.

Concordando com o texto de Fernando, belamente montado por Juilana, o que eu faço é minha prática (obra) e corresponde a minha alma. Quanto mais aprofundo no conhecimento da minha psique (individuação), mais próximo fico do self, e mais esta fonte de energia pode alimentar um ego "verdadeiro" e suas obras "verdadeiras". O self, todavia, é alimentado por "Deus", o que, segundo Yung, no Ocidente, corresponde ao Cristo ou ao arquétipo de Jesus.

Por isso, não basta estar no berço, sugar o seio, sentar no colo, ir para o mosteiro ou ler a Bíblia. É preciso ser, por meio do eu (ego), plenamente o próprio self, só assim as obras serão mais "verdadeiras", serão obras de um eu individuado, mas que sabe viver em comunhão.

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